História do Inter

Como o Beira-Rio foi construído sobre o Guaíba?

O Beira-Rio foi construído sobre o Guaíba a partir de um aterro: em 1956 o Inter recebeu da prefeitura uma área de cerca de oito hectares que estava debaixo d’água, dragas começaram a encher o terreno no fim dos anos 1950 e, com dinheiro escasso e muita ajuda da torcida, que doou tijolos, cimento e ferro, o estádio ficou pronto em abril de 1969.

A seguir você confere como surgiu a ideia de erguer um estádio dentro do rio, quem tocou a obra, por que ela chegou a parar, como funcionou a famosa Campanha do Tijolo e o que esse terreno conquistado ao Guaíba significou na enchente de 2024.

Resumo rápido sobre a construção do Beira-Rio

  • A doação da área foi aprovada em 1956, por iniciativa do ex-presidente colorado Ephraim Pinheiro Cabral.
  • O terreno, de cerca de oito hectares, ficava no leito do Guaíba e precisou ser aterrado.
  • O aterro começou no fim dos anos 1950; as obras do estádio em si ganharam ritmo na década de 1960.
  • O engenheiro português José Pinheiro Borda liderou o projeto e dá nome oficial ao estádio.
  • A Campanha do Tijolo levou torcedores a doar material e trabalhar de graça.
  • A inauguração foi em 6 de abril de 1969, cerca de 13 anos depois da doação do terreno.

Um estádio que começou dentro d’água

Nos anos 1950, o Inter mandava seus jogos nos Eucaliptos, estádio acanhado para a torcida que crescia. A saída veio de um ex-presidente: Ephraim Pinheiro Cabral levou à Câmara de Porto Alegre, em 1956, o projeto de doação de uma área à beira do Guaíba. Detalhe: a tal área ainda não existia como terra firme. Boa parte dela estava submersa.

Aceitar o presente significava, antes de qualquer arquibancada, fabricar o chão. O aterro foi feito com dragas que bombeavam areia do fundo do rio para formar o terreno. O avanço foi irregular, e muita gente na cidade achava a ideia delirante: um clube que queria jogar futebol no meio do rio.

José Pinheiro Borda, o homem por trás da obra

A virada veio no começo dos anos 1960, quando o engenheiro José Pinheiro Borda, imigrante português radicado em Porto Alegre, assumiu a liderança dos trabalhos. Sob seu comando, o aterro passou a avançar com regularidade e foi formada uma comissão de obras para tocar a parte técnica e financeira.

Pinheiro Borda não viu o resultado. Ele morreu em meados dos anos 1960, com a obra ainda longe do fim, e o estádio passou a levar o seu nome. Por isso, no papel, o Gigante se chama Estádio José Pinheiro Borda. Beira-Rio é o apelido que pegou porque descreve exatamente o lugar onde ele está.

Dinheiro curto, obra parada e a Campanha do Tijolo

Erguer um estádio daquele porte sem grandes patrocinadores exigiu criatividade. O clube vendia carnês para financiar a construção, e o número de torcedores participantes cresceu ano a ano. A data da pedra fundamental aparece de forma desencontrada nos registros, ora em 1962, ora em 1963.

Mesmo assim, as finanças apertaram e, em alguns momentos, as obras pararam. Faltava o empurrão final, e ele veio da arquibancada: no fim dos anos 1960, foi lançada a Campanha do Tijolo.

A ideia era arrecadar recursos, mas muita gente entendeu ao pé da letra e apareceu com tijolos, sacos de cimento e barras de ferro. Rádios do interior do estado ajudaram a espalhar o chamado, e torcedores passaram a trabalhar como voluntários nas horas de folga. Paulo Roberto Falcão, então garoto das categorias de base, costuma ser lembrado entre os que carregaram tijolos para a obra.

Do aterro à inauguração

Em 1968 a estrutura estava praticamente concluída. A festa oficial aconteceu em 6 de abril de 1969, domingo de Páscoa, com a cidade enfeitada de vermelho e fogos ao amanhecer. O Inter venceu o Benfica de Eusébio por 2 a 1, e o Beira-Rio nasceu como um dos maiores estádios particulares do Brasil.

PeríodoEtapa da construção
1956Doação da área no Guaíba
Fim dos anos 1950Início do aterro com dragas
Anos 1960Obras do estádio sob o comando de José Pinheiro Borda
Meados dos anos 1960Morte de José Pinheiro Borda; obra segue com a comissão
Fim dos anos 1960Campanha do Tijolo mobiliza a torcida
6/4/1969Inauguração contra o Benfica
2012 a 2014Reforma para a Copa do Mundo

O aterro que o Guaíba quis de volta

A área conquistada ao rio faz parte da orla onde hoje estão o bairro Praia de Belas e espaços de lazer à beira do Guaíba. Na reforma para a Copa de 2014, a arquibancada inferior foi demolida e reconstruída, mexendo de novo no terreno criado décadas antes.

Em maio de 2024, durante a maior enchente da história do Rio Grande do Sul, o Guaíba avançou justamente sobre essas áreas aterradas, e o Beira-Rio ficou inacessível por semanas. Depois de uma grande operação de limpeza e recuperação do gramado, o Inter só voltou para casa em 7 de julho de 2024, contra o Vasco, cerca de 70 dias depois. Foi um lembrete duro de que o Gigante, literalmente, foi erguido em cima do rio.

Perguntas frequentes sobre a construção do Beira-Rio

O Beira-Rio foi construído em cima do rio?

Sim. O terreno doado ao Inter em 1956 ficava em grande parte submerso no Guaíba e foi formado por aterro, com areia bombeada por dragas.

Quanto tempo levou a construção do Beira-Rio?

Da doação do terreno, em 1956, à inauguração, em abril de 1969, foram cerca de 13 anos, somando o aterro e a obra do estádio.

Por que o estádio se chama José Pinheiro Borda?

É uma homenagem ao engenheiro português que liderou a construção a partir do início dos anos 1960 e morreu antes de ver o estádio pronto.

O que foi a Campanha do Tijolo?

Foi a mobilização da torcida para arrecadar recursos na reta final da obra. Muitos torcedores levaram tijolos, cimento e ferro até o canteiro e trabalharam como voluntários, o que ajudou a concluir o estádio.

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