Gigante da Beira-Rio: A origem do apelido do estádio
O apelido Gigante da Beira-Rio nasceu da grandiosidade do estádio que o Inter levantou sobre as águas do Guaíba nos anos 1960. A obra levou cerca de uma década, contou com a ajuda direta da torcida e abriu as portas em 1969 com capacidade acima de cem mil torcedores. Era algo sem paralelo no Sul do país, e o nome pegou.
A história do apelido passa por um estádio que ficou pequeno, por uma campanha que a torcida entendeu do seu jeito, pela festa de abertura contra o Benfica e pela forma como o nome sobreviveu à reforma. Também mostramos o que as fontes deixam em aberto.
Resumo rápido sobre a origem do Gigante
- Motivo do apelido: a escala inédita do estádio para a época.
- Construção: de 1959 a 1969, sobre área aterrada do Guaíba.
- Comandante da obra: José Pinheiro Borda, que dá nome oficial ao estádio.
- Mobilização: a Campanha do Tijolo levou torcedores a doar material e trabalhar na obra.
- Abertura: abril de 1969, vitória sobre o Benfica de Eusébio.
Os Eucaliptos já não davam conta
Por três décadas, o Inter mandou seus jogos no Estádio dos Eucaliptos. Nos anos 1950, o clube vinha de uma longa fase de domínio regional e queria disputar títulos nacionais. Para isso, precisava de uma casa à altura.
A solução veio de onde ninguém esperava: do rio. Em 1956, a Câmara de Porto Alegre discutiu a doação de uma área na margem do Guaíba. O detalhe é que boa parte do terreno ainda era água. O aterro começou no fim de 1957, e a primeira estaca só foi cravada em 1959.
Tijolo por tijolo, com a mão do torcedor
O dinheiro era curto. Para viabilizar a obra, o clube lançou a Campanha do Tijolo, oficialmente iniciada em 26 de novembro de 1967. A ideia era vender carnês para arrecadar fundos. Muitos torcedores entenderam a proposta ao pé da letra e passaram a levar tijolos, cimento e ferro até o canteiro.
Houve quem fosse além e trabalhasse de graça nos fins de semana. A Wikipédia registra que Falcão, que mais tarde viraria ídolo, teria carregado tijolos. Outro texto sobre o estádio cita uma foto de 1979 em que ele empurra um carrinho de mão em obras de acabamento.
A campanha também vendeu títulos para financiar a obra. Segundo a Wikipédia em inglês, as vendas saltaram de cerca de 2 mil no primeiro ano para algo perto de 40 mil.
À frente de tudo estava o engenheiro José Pinheiro Borda, que presidia a comissão de obras e nunca aceitou ser presidente do clube. Ele morreu em 25 de abril de 1965, quatro anos antes da inauguração. A obra parou por falta de recursos e só foi retomada com apoio bancário. O estádio recebeu oficialmente o nome dele.
A abertura que confirmou o tamanho
Em 6 de abril de 1969, o estádio foi entregue com um amistoso contra o Benfica, que tinha Eusébio. O Inter venceu por 2 a 1. O jovem Claudiomiro, de 18 anos, marcou o primeiro gol da história do estádio, Eusébio empatou e Gilson Porto definiu.
O público daquela tarde é contado de formas diferentes. A Wikipédia fala em mais de 100 mil pessoas, a Goal cita cerca de 106 mil, e um texto de pesquisa aponta capacidade acima de 110 mil. Em qualquer versão, era uma multidão que justificava chamar a casa colorada de gigante.
| Ano | Marco |
|---|---|
| 1956 | Proposta de doação da área às margens do Guaíba |
| 1957 | Início do aterro |
| 1959 | Primeira estaca |
| 1965 | Morte de José Pinheiro Borda |
| 1967 | Lançamento da Campanha do Tijolo |
| 1969 | Inauguração contra o Benfica |
| 1973 | Abertura do ginásio Gigantinho |
| 2014 | Reabertura após o projeto Gigante para Sempre |
Existe um registro oficial do apelido?
Não. Nenhuma das fontes consultadas, nem o site do Inter, documenta quem cunhou a expressão ou quando ela apareceu pela primeira vez. O que se sabe é que o termo se firmou cedo: em 1973, quatro anos após a abertura, o clube já batizava seu ginásio de Gigantinho, o diminutivo do estádio vizinho.
De apelido a marca do clube
Com o tempo, Gigante virou quase um sobrenome do Inter. O CT dos profissionais virou Parque Gigante. A modernização para a Copa do Mundo de 2014 se chamou Gigante para Sempre.
A reforma para o Mundial testou a força do nome. O estádio fechou em dezembro de 2012 e passou mais de um ano em obras. Na véspera do aniversário de 45 anos, em 5 de abril de 2014, cerca de 45 mil pessoas foram à festa de reabertura. A casa voltou menor, com cadeiras em todos os setores e uma cobertura metálica nova, mas ninguém pensou em mudar o apelido.
O nome segue vivo em projetos recentes. Em novembro de 2024, o clube anunciou a revitalização do Gigantinho com investimento privado estimado entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões, com conclusão prevista para o fim de 2026.
Perguntas frequentes sobre o Gigante da Beira-Rio
Quem foi José Pinheiro Borda?
Engenheiro que comandou a construção do estádio. Morreu em 1965 e virou o nome oficial do Beira-Rio.
O que foi a Campanha do Tijolo?
Ação de arrecadação lançada em 1967. Muitos torcedores doaram material de construção em vez de comprar carnês.
Quem marcou o primeiro gol do Beira-Rio?
Claudiomiro, aos 18 anos, na vitória por 2 a 1 sobre o Benfica em 1969.
Por que o ginásio se chama Gigantinho?
Porque é o diminutivo de Gigante, apelido do estádio ao lado.



