Como o Beira-Rio ficou depois da reforma de 2014?
Depois da reforma de 2014, o Beira-Rio virou um estádio todo coberto, com cadeiras em todos os setores, uma arquibancada inferior nova e mais próxima do gramado, camarotes, bares e um edifício-garagem ao lado. A estrutura principal de 1969 foi mantida, mas a experiência de quem vai ao jogo mudou bastante: hoje o colorado assiste sentado, protegido da chuva e com circulação muito mais organizada do que no velho Gigante.
A seguir você vê, ponto por ponto, o que mudou para o torcedor: a cobertura em formato de folhas, o novo anel inferior, o fim dos espaços para assistir em pé, os camarotes, a chegada ao estádio e o que o Beira-Rio enfrentou depois da Copa, como a enchente de 2024. A história da construção sobre o Guaíba, o primeiro jogo e os números de público estão em outros textos do site.
Resumo rápido sobre o Beira-Rio depois da reforma
- A obra ganhou ritmo em 2012 e o estádio foi reaberto em abril de 2014, a tempo da Copa do Mundo.
- Uma cobertura de módulos metálicos com membrana passou a proteger todos os lugares.
- A arquibancada inferior foi demolida e refeita, agora mais perto do campo.
- Todos os setores passaram a ter cadeiras, como exigia o padrão da FIFA.
- Ganhou camarotes, áreas VIP, bares, lojas e um edifício-garagem.
- A estrutura principal do estádio original foi preservada.
A cobertura: o fim do jogo debaixo de chuva
A mudança que mais salta aos olhos é o teto. O velho Beira-Rio deixava boa parte da torcida exposta ao tempo, e quem frequentou o estádio no inverno gaúcho lembra bem das noites de chuva e vento vindo do Guaíba. A cobertura era um pedido antigo dos colorados e já estava nos planos de modernização antes mesmo da escolha de Porto Alegre como sede da Copa.
A solução foi uma estrutura de módulos de aço apoiados ao redor do estádio, revestidos por uma membrana de fibra de vidro com camada de teflon. O material deixa passar parte da luz natural e exige pouca manutenção. Vista de fora, a sequência de módulos lembra folhas e deu ao Gigante a silhueta que hoje aparece em qualquer foto aérea de Porto Alegre. A montagem terminou no fim de 2013.
Para o torcedor, o efeito prático é simples: todos os lugares ficam sob a cobertura. Além de proteger da chuva e do sol, o teto segura o som dentro do estádio, e em jogo grande o barulho da torcida se espalha pelas arquibancadas de um jeito que o estádio aberto não permitia.
A arquibancada inferior nova, mais perto do gramado
O anel de baixo foi o trecho que mais mudou por dentro. A arquibancada inferior antiga foi demolida e substituída por uma nova, construída mais próxima do campo. A distância entre o torcedor e o lance diminuiu, e a visão dos setores baixos melhorou em relação ao desenho de 1969, que havia sido pensado para colocar o maior número possível de pessoas, não para aproximar o público do jogo.
A reconstrução também aproveitou o espaço sob as arquibancadas, onde foram abertas áreas de circulação, salas de imprensa, lojas e vestiários. Isso explica por que o Beira-Rio atual tem corredores largos, escadas novas e mais pontos de acesso: muito do que o torcedor usa antes de chegar à cadeira simplesmente não existia no estádio antigo.
Só cadeiras: como ficou o lugar do torcedor
Outra mudança sentida na pele foi o fim dos espaços para assistir em pé. Para receber a Copa, o estádio precisava seguir o padrão da FIFA, e por isso todos os setores receberam cadeiras. Com isso, a capacidade ficou na casa dos 50 mil lugares, todos sentados e cobertos.
A transformação tinha começado antes da obra. A Coreia, o setor popular onde o ingresso era mais barato e a vista era ruim, foi fechada no começo dos anos 2000, e o clube passou a instalar camarotes. A reforma consolidou esse caminho e mudou o perfil do Gigante: mais conforto e mais serviços, mas também ingresso mais caro e um jeito diferente de torcer, debate que os colorados acompanham até hoje.
Na prática, a torcida organizada e os grupos mais ruidosos seguem concentrados atrás das goleiras e nas partes baixas, e muita gente assiste em pé na frente das cadeiras nos momentos de maior pressão.
Camarotes, bares e o que há embaixo das arquibancadas
A reforma criou uma camada de serviços que o velho Beira-Rio não tinha. Foram instalados camarotes e salas de luxo, além de áreas reservadas e tribunas pensadas para patrocinadores, convidados e torcedores que pagam por pacotes premium.
Para o público geral, as diferenças estão nos bares e lanchonetes espalhados pelos corredores internos, nos banheiros, nas lojas e nas instalações totalmente trocadas. A operação comercial de parte do estádio passou a ser feita em parceria com a construtora responsável pela obra, modelo que bancou a reforma com recursos privados.
A chegada ao estádio e o estacionamento
Do lado de fora, a principal novidade foi o edifício-garagem ao lado do estádio. Antes, estacionar perto do Beira-Rio em dia de jogo grande dependia quase sempre das ruas e áreas do entorno. O complexo, que soma estádio, Gigantinho e Parque Gigante, ganhou também acessos reorganizados por portões conforme o setor do ingresso.
Quem vai de transporte público segue contando com as linhas de ônibus que passam pela Padre Cacique. A dica de sempre continua valendo: chegar cedo e conferir no ingresso o portão certo, porque cada setor tem entrada própria.
O que continuou igual e o que veio depois da Copa
Apesar de parecer outro estádio, o Beira-Rio reformado não foi demolido. A estrutura principal de concreto, erguida com a ajuda dos próprios torcedores nos anos 1960, foi preservada, e o estádio segue no mesmo aterro à beira do Guaíba. Foi justamente essa localização que cobrou seu preço em maio de 2024, quando a enchente histórica que atingiu o Rio Grande do Sul alagou o gramado e as áreas internas.
O Inter ficou cerca de 70 dias longe de casa. Depois de uma grande operação de limpeza, recuperação das instalações e replantio do gramado, o time voltou ao Beira-Rio em 7 de julho de 2024, contra o Vasco, pelo Brasileirão. A estrutura renovada em 2014 resistiu, e o Gigante voltou a receber a torcida colorada.
| Item | Antes da reforma | Depois de 2014 |
|---|---|---|
| Cobertura | Parcial, boa parte do público exposta | Total, com módulos e membrana |
| Arquibancada inferior | Desenho original de 1969 | Demolida e refeita, mais perto do campo |
| Lugares | Setores com torcida em pé | Cadeiras em todos os setores |
| Capacidade | Muito acima de 50 mil em grandes jogos | Cerca de 50 mil, todos sentados |
| Camarotes | Poucos, instalados aos poucos | Camarotes e áreas premium |
| Estacionamento | Ruas e áreas do entorno | Edifício-garagem ao lado do estádio |
Perguntas frequentes sobre o Beira-Rio depois da reforma
O Beira-Rio é todo coberto?
Sim. Desde a reforma concluída em 2014, a cobertura protege todos os lugares do estádio. O gramado fica descoberto, como em qualquer estádio de futebol.
Tem lugar para assistir em pé no Beira-Rio?
Oficialmente, não. Para atender ao padrão da FIFA na Copa de 2014, todos os setores ganharam cadeiras. Nos setores mais animados, porém, é comum o torcedor ficar em pé diante da cadeira durante boa parte do jogo.
O Beira-Rio foi demolido para a Copa?
Não. A estrutura principal do estádio inaugurado em 1969 foi mantida. O que foi demolido e reconstruído foi a arquibancada inferior, além da troca da cobertura, das instalações e das áreas internas.
Quando o Beira-Rio reformado foi reaberto?
O estádio teve jogo-teste em fevereiro de 2014 e foi reinaugurado oficialmente em abril de 2014, poucos meses antes de receber cinco partidas da Copa do Mundo.



