Quem escreveu o hino do Internacional?
O hino do Internacional foi escrito pelo músico carioca Nelson Silva, que compôs letra e melodia de Celeiro de Ases em 1957, segundo o site oficial do clube. Radialista em Porto Alegre e torcedor colorado por adoção, ele nunca inscreveu a música em concurso e, anos depois, doou os direitos autorais ao Inter.
As próximas seções contam quem foi Nelson Silva, como um torcedor do Flamengo se tornou colorado, o que aconteceu na tarde em que o hino nasceu, por que ele preferiu ficar fora do concurso oficial e quais documentos e curiosidades cercam a canção. No fim, há o vídeo do hino e o link para a letra completa no site oficial do clube.
Resumo rápido sobre o autor do hino
- Autor: Nelson Silva, também grafado Nélson Silva, responsável por letra e música.
- Nascimento: 16 de junho de 1916, no Rio de Janeiro.
- Chegada ao Sul: 1943, em turnê com um conjunto musical, e decidiu ficar em Porto Alegre.
- Profissão: músico, produtor e ator de rádio e televisão, com passagem pela Rádio Farroupilha e pela TV Piratini.
- Composição: Celeiro de Ases, de 1957, nascida depois de uma derrota para o Aimoré.
- Direitos: cedidos ao Internacional, sem ganho financeiro para o autor.
- Morte: 16 de março de 1983, aos 66 anos.
Quem foi Nelson Silva
Nelson Silva nasceu no Rio de Janeiro em 16 de junho de 1916. Em 1943, chegou a Porto Alegre como integrante de um grupo musical, chamado pelo clube de Águias da Meia-Noite e, em outras fontes, de Águias de la Medianoche. A temporada era para ser passageira, mas ele gostou da cidade e não voltou mais para o Rio.
Na capital gaúcha, construiu carreira nos meios de comunicação. Foi músico, produtor e ator de rádio e televisão, com trabalhos na TV Piratini e na Rádio Farroupilha. Nesta última, criou com J. Antônio D’Ávila o programa A Rádio Sequência, que o site do Inter descreve como o mais famoso do rádio local nos anos 1950. Era, portanto, um nome conhecido do público muito antes de o hino se tornar oficial.
De flamenguista a colorado
Nelson Silva chegou ao Sul torcendo pelo Flamengo, e o caminho até o Inter passa por uma questão racial. O próprio clube registra que ele se identificou com o Internacional pela forma como o time acolhia a comunidade negra, numa época em que o futebol gaúcho ainda impunha barreiras a atletas e torcedores negros.
Em março de 2023, o publicitário Turiassú Silva, filho do compositor, publicou na Zero Hora um relato familiar sobre esse momento. Segundo ele, em 1949, o pai tentou assistir a um jogo entre Grêmio e Flamengo no antigo Estádio da Montanha e foi barrado na entrada, sob a justificativa de que o clube não admitia negros. Ainda de acordo com o filho, foi a partir dali que a paixão pelo Inter se consolidou, a ponto de ele torcer pelo Colorado até mesmo nos confrontos contra o Flamengo.
A tarde de 1957
A versão do site oficial situa o nascimento do hino em uma tarde de 1957. Nelson Silva esperava a noiva, Ieda, na Rádio Farroupilha e acompanhava pelo rádio um jogo do Inter contra o Aimoré, em São Leopoldo. O resultado foi uma derrota por 3 a 0, e o compositor transformou a frustração em música.
Em entrevista ao Jornal do Inter publicada em 15 de novembro de 1975, ele contou que escreveu os versos e fez a melodia em cerca de meia hora, e resumiu a origem da canção em poucas palavras: o hino, disse, “nasceu de pura raiva”. O título, Celeiro de Ases, era uma referência ao Rolo Compressor, o time dos anos 1940 que tinha nomes como Tesourinha, Russinho e Carlitos.
Há detalhes que variam conforme a fonte. No relato publicado pelo filho, a derrota aparece como um amistoso de 1956, com placar de 3 a 1 para o Aimoré. O clube, porém, mantém 1957 como ano da composição, e é essa a data adotada nas comemorações oficiais.
O concurso que ele não disputou
No fim dos anos 1950, perto de completar meio século, o Inter organizou um concurso para escolher seu hino oficial, e vários candidatos se inscreveram. Nelson Silva preferiu outro caminho. Em vez de concorrer, passou a cantar a marchinha em programas de rádio, em bares e em serestas, até que ela caiu no gosto dos torcedores.
A posição de Nelson Silva no rádio foi decisiva para essa estratégia. Num tempo sem televisão em massa e sem gravações fáceis de distribuir, quem tinha acesso ao microfone conseguia fazer uma música circular pela cidade inteira. O compositor usou esse espaço, somado às rodas de seresta da boemia porto-alegrense, para que a marchinha chegasse às arquibancadas antes mesmo de qualquer escolha formal da diretoria.
Segundo o clube, ele não inscreveu a música porque acreditava que o público já tinha feito a escolha. A aposta deu certo: Celeiro de Ases acabou adotada como hino oficial. O relato do filho cita 1966 como o ano de um concurso vencido pela canção, outra divergência entre as versões disponíveis.
Mais tarde, o compositor comunicou ao Inter que estava doando os direitos da obra. Nelson Silva costumava dizer que nunca ganhou dinheiro com o hino, mas que ganhou muitos amigos, e que ser colorado e autor da canção eram seus maiores patrimônios.
| Ano | Fato na trajetória de Nelson Silva |
|---|---|
| 1916 | Nasce no Rio de Janeiro, em 16 de junho |
| 1943 | Chega a Porto Alegre com um conjunto musical e se fixa na cidade |
| Anos 1950 | Cria com J. Antônio D’Ávila o programa A Rádio Sequência, na Rádio Farroupilha |
| 1957 | Compõe Celeiro de Ases após derrota do Inter para o Aimoré |
| Fim dos anos 1950 | Inter realiza concurso; a música dele, fora da disputa, já é conhecida da torcida |
| 1975 | Explica a origem do hino em entrevista ao Jornal do Inter |
| 1983 | Morre em 16 de março, aos 66 anos |
Letra do hino do Internacional
Glória do desporto nacional
Oh, Internacional
Que eu vivo a exaltar
Levas a plagas distantes
Feitos relevantes
Vives a brilhar
Correm os anos, surge o amanhã
Radioso de luz, varonil
Segue a tua senda de vitórias
Colorado das glórias
Orgulho do Brasil
É teu passado alvirrubro
Motivo de festas em nossos corações
O teu presente diz tudo
Trazendo à torcida alegres emoções
Colorado de ases celeiro
Teus astros cintilam num céu sempre azul
Vibra o Brasil inteiro
Com o clube do povo do Rio Grande do Sul
Ouça o hino e veja a letra
O vídeo abaixo é um dos mais vistos do hino colorado no YouTube, com milhões de visualizações, e traz a gravação de Celeiro de Ases.
A letra completa do hino está publicada na página oficial do hino no site do Internacional.
Documentos e curiosidades
O Arquivo Histórico do Inter guarda peças ligadas à canção, como uma partitura, uma cópia da letra e o documento de cessão de direitos do hino oficial, segundo levantamento publicado pelo blog Memória do Inter. O mesmo material informa que a música recebeu aprovação da censura federal em 1975, em pleno regime militar.
Nelson Silva também compôs uma canção em homenagem ao Gigante da Beira-Rio, estádio inaugurado em 1969. Em 2017, quando o hino completou 60 anos, a Revista do Inter dedicou reportagem à data, retomando a história do compositor e da tarde em que a música surgiu.
Perguntas frequentes sobre o hino do Inter
Quem compôs o hino do Internacional?
O músico e radialista carioca Nelson Silva, que fez letra e melodia. Ele vivia em Porto Alegre desde 1943 e trabalhava na Rádio Farroupilha e na TV Piratini.
Qual é o nome do hino do Inter?
O hino oficial se chama Celeiro de Ases. O nome faz referência ao Rolo Compressor, a equipe colorada multicampeã da década de 1940.
Em que ano o hino do Inter foi criado?
Segundo o site oficial, em 1957. Um relato familiar publicado em 2023 cita 1956, mas o clube adota 1957 como data da composição.
Nelson Silva era gaúcho?
Não. Ele nasceu no Rio de Janeiro e torcia pelo Flamengo. Mudou-se para Porto Alegre em 1943 e se tornou colorado ao se identificar com o Inter.
O autor recebia direitos autorais pelo hino?
Não. Nelson Silva doou os direitos da canção ao Internacional e afirmava nunca ter ganho dinheiro com ela.



